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16.05.2007
16.05.2007
Pesquisador estuda rentabilidade da borracha extrativista

Notícia 16.05.2007

Pesquisador estuda rentabilidade da borracha extrativista

Segundo Jair Carvalho dos Santos, pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) os conhecimentos relativos ao desempenho econômico dos sistemas de produção extrativistas capazes de oferecer subsídios a políticas públicas para o setor são escassas. Segundo o pesquisador, para o setor primário o conhecimento detalhado da composição de custos de produção e rentabilidade de sistemas agroextrativistas constitui um importante norteador de políticas públicas. Já para sistemas extrativistas da Amazônia, são raros os estudos dessa natureza.
Com o objeto de apresentar a estimativa de custos de produção para extração de látex de seringueira na safra 2001/2002 do Estado do Acre, o pesquisador elaborou o artigo “Estimativa de custo de coleta e rentabilidade para sistema extrativo de látex de seringueira na Amazônia”, apresentado no último Congresso da Sociedade Brasileira de Economia e Sociologia Rural (SOBER 2006).
Para isso, o pesquisador determinou os custos e a rentabilidade considerando o modelo de sistema de produção adotado no Seringal Rio Branco. De acordo com Santos, a avaliação da extração do látex foi realizada de duas maneiras: uma fundamentada na composição das despesas operacionais por etapa do processo produtivo e outra pela operacionalização dos recursos que compõe os custos fixos e os custos variáveis.
Já para o cálculo da rentabilidade, foram utilizadas as variáveis renda líquida e remuneração da mão-de-obra familiar (que indica o quanto o sistema extrativo remunera cada dia de trabalho dos membros da família do produtor).
Os dados obtidos pela pesquisa foram retirados do chamado “Painel Técnico”, que consiste na execução de reuniões, envolvendo produtores extrativistas e técnicos com grande conhecimento e experiência na atividade ou na cadeia produtiva da região, além de entrevistas feitas com os seringueiros do Seringal Rio Branco.
Os resultados do trabalho conduzido por Santos mostraram que o custo total de produção no Acre foi de R$ 2.034,28 na safra 2001/2002 e que a renda líquida do produtor alcançou R$ -1.314,28 (valor negativo). Assim, as receitas obtidas com a venda do látex não foram suficientes para cobrir os custos de produção, nem mesmo os custos variáveis. Santos estimou que o custo de produção de um quilograma de látex coagulado foi de R$ 3,39, muito acima do preço pago ao seringueiro, de R$ 1,40/kg, incluída a subvenção complementar paga pelo governo estadual.
Outro dado interessante apontado pelo autor é que a baixa produção de látex observada – cerca de 600 kg/ano – é resultado da menor dedicação das famílias à atividade, justificada pela baixa remuneração na época em que o estudo foi realizado, e do reduzido número de tigelas coletoras nas árvores. O aumento de produção poderia ser induzido por uma elevação no preço final pago ao extrativista, resultando na redução dos custos de produção e no aumento da eficiência do sistema.
De acordo com o pesquisador, “a melhoria de eficiência do processo de coleta e a diminuição do custo unitário de produção resultariam em redução do valor unitário da subvenção necessária para remunerar minimamente o seringueiro na comercialização da produção, com conseqüente redução do custo social da subvenção”.

Fonte: Site Borracha Natural Brasileira