Notícia
31.05.2007
Projeto quer viabilizar uso comercial
da madeira de seringueira
A madeira de seringueira pode ser utilizada na confecção
de móveis e lápis de cor.
A utilização da madeira de seringueira na indústria
de móveis e madeiras para exportação já
acontece há bastante tempo no Sudeste Asiático,
destacando-se a Malásia e a Tailândia. No Brasil,
o projeto de pesquisa “Uso potencial da madeira de seringueira
“ quer destinar a madeira dos seringais que já
perderam a capacidade de produzir látex como matéria-prima
para outros setores, como o moveleiro e de artigos escolares.
O projeto é uma parceria da Associação
Paulista dos Produtores e Beneficiadores de Borracha (Apabor),
do Instituto Florestal e da Escola Superior de Agricultura “Luiz
de Queiroz” (Esalq/USP), e conta com o apoio da Fundação
de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).
Foto: Francisco Kronka / Instituto Florestal

Aspecto do desdobramento das toras
de seringueira
Segundo o pesquisador Francisco Kronka, do Instituto Florestal,
o projeto aguarda a execução do inventário
florestal dos seringais, através do Projeto Lupa, que
é desenvolvido pela Secretaria Estadual de Agricultura
e Abastecimento, através do Instituto de Economia Agrícola
(IEA) e Coordenadoria da Assistência Técnica Integral
(CATI).
“Este inventário implica na fotointerpretação
de imagens ou fotos, mapeamento e quantificação
das áreas plantadas. É importante saber qual é
a quantidade de madeira existente e quando ela estará
disponível para se ter idéia das perspectivas
de abastecimento industrial”, completa.
Segundo Kronka, o princípio do projeto surgiu através
do mapeamento da vegetação natural e do reflorestamento
de pinus e eucalipto, realizado pelo Instituto Florestal, que
passou a executar também nos seringais, devido a expansão
da área plantada no Estado de São Paulo, atualmente
em torno de 60.000 hectares.
Os resultados obtidos nos testes da madeira indicam possibilidades.
“A madeira de seringueira possui em torno de 6 a 8% de
carboidrato (amido), que constituem meio de cultura para fungos
que escurecem a madeira. Por isto, há necessidades especiais”,
diz. Entre os cuidados citados pelo pesquisador, a madeira deve
ser seccionada em toras e depois em tabuas logo após
o corte. Em seguida, sofrem banho de imersão em solução
que contém produtos preservativos, para proteger a madeira
contra fungos, e passam por secagem natural ou em estufas.
Foto: Francisco Kronka / Instituto Florestal

Aspectos das peças empilhadas
e em secagem
O presidente da Apabor, Jayme Vazquez Cortez, acredita que
o principal objetivo do projeto está na utilidade da
madeira para a fabricação de móveis. “O
setor de móveis permite uma boa demonstração
das possibilidades”, afirma. Segundo Vazquez, “o
país ainda não tem volume que justifique uma serraria
apropriada para a madeira de seringueira, mas em 2020 ou 2030
haverá disponibilidade para uso comercial”.
Foto: Francisco Kronka / Instituto Florestal

Jayme Vazquez ao lado de toras
de seringueira
Um dos principais desafios para a equipe envolvida no projeto
será o investimento na qualidade da madeira. Segundo
Kronka, o aproveitamento ainda não é muito bom:
“Os primeiros seringais tinham como principal objetivo
a produção de látex, não se preocupando
com a forma das arvores. Não é executado a poda
ou desrama, que constitui na supressão de galhos até
uma determinada altura para a produção de toras
sem nós, que dão melhor madeira”, afirma.
Além da indústria de móveis, está
em testes o aproveitamento da madeira para a produção
de lápis. Segundo Kronka, esses testes estão sendo
repetidos em novas árvores.
Vazquez afirma ainda que Malásia e Tailândia utilizam
a madeira de seringueira para a fabricação de
móveis e nas carvoarias, além de exportar a matéria-prima
para diversos países, como Japão e países
europeus.
O núcleo da pesquisa estará concentrado no Instituto
Florestal. O projeto, que tem duração prevista
para dois anos, deve envolver pesquisadores do Institutoe da
Esalq nas áreas de geoprocessamento, além de uma
serraria experimental do Instituto Florestal, localizada no
município paulista de Manduri.
Fonte: Site Borracha Natural Brasileira
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